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ARTMAG



ARTMAG

Um ensaio sobre artemagia


Introdução


De antemão expresso que o texto que se desenvolve aqui se configura como um ensaio, uma apresentação prévia e necessária para o melhor entendimento de outros pensamentos que seguirão de forma mais aplicada (Evoéra) e os princípios ligados ao conceito de artemagia, que ainda se manifestará de forma mais completa através de um tratado (O Grimório de Artemagia)...

Artmag ou artemagia pode ser entendido basicamente como um conceito de reintegração entre as  linhas filosóficas da arte e da magia, bem como o neologismo que a própria palavra propoẽ. Onde as obras criadas a partir deste prisma emitem uma nova luz sob a perspectiva semiótica de uma obra de arte. Uma ideia que foi pesquisada, aprimorada e batizada pelo artista (ou artemago) Ronald D’Lanor. 


Referências 


Para além das minhas vivências e inquietações enquanto artemago, meu olhar se voltou ao panorama histórico, para observar desde quando as ideias e práticas,  artísticas e mágicas se fundem ou simplesmente não se desvinculam. E o que pude perceber é que desde tempos imemoriais elas dividem conceitos ou leituras individuais como também ideias ou práticas intimamente associadas.

A fusão entre arte e magia é ancestral. Ela aparece desde rituais xamânicos e pinturas rupestres. Passando pela filosofia grega e na alquimia medieval, chegando a novos aspirantes na antropologia moderna e na arte contemporânea.

No período pré - socrático, Demócrito, Empédocles, dentre outros são relevantes para iniciar essa investigação, para Platão, por exemplo, a arte imitava o mundo das ideias como uma forma de acessar o invisível, o eterno, o sagrado. 

Wassily Kandinsky: Ao desenvolver suas teorias sobre arte abstrata, Kandinsky explorou a dimensão espiritual e esotérica da arte. Sua obra e escritos, especialmente em relação ao grupo Der Blauer Reiter, buscavam conectar a experiência artística a um nível mais profundo, similar à busca por uma verdade transcendente, associada à magia.

André Breton: Fundador do Surrealismo, Breton defendia a arte como uma via de libertação e transformação, onde a arte e a magia se entrelaçaram. Para ele, a arte era uma forma de acessar o "desconhecido", a "magia da imaginação" e as forças que nos conectam ao mundo espiritual, além de ser um meio para a metamorfose. 

Theodor Adorno (1903-1969), um dos principais pensadores da Escola de Frankfurt, cunhou a emblemática frase: “A arte é a magia libertada da mentira de ser verdadeira.” para ele a arte, ao ser autônoma e crítica, consegue desmascarar as falsas representações da realidade, oferecendo uma perspectiva diferente, uma verdade que não é a verdade oficial ou comercializada pela cultura de massa. 

O antropólogo Alfred Gell (1945-1997) desenvolveu a teoria da “tecnologia do encanto”, onde objetos de arte funcionam como instrumentos mágicos que exercem poder sobre quem os observa: Ele estudou como artefatos em culturas tradicionais (como as tábuas das canoas nas Ilhas Trobriand) são criados para fascinar e influenciar, como uma espécie de feitiço visual.


Para Alan Moore, arte e magia são a mesma coisa: a ciência de manipular símbolos, palavras e imagens para alterar a consciência humana. Ao se autoproclamar mago aos 40 anos, ele reconheceu essa conexão, vendo o artista como um xamã moderno e a arte como uma forma de "encantamento", que pode criar e transformar a realidade através da imaginação. 

Tendo em vista o passado patriarcal que apagou ou simplesmente impossibilitou que muitas mulheres tivessem suas pesquisas expostas ou desenvolvidas, não poderia deixar de citar, não só por isso mas como também pelas suas contribuições direta ou indiretamente com o tema. Sendo elas: Marina Abramovic, Lygia Clark e Ketlyn Oliveira. 

Abramović estudou e incorporou elementos de budismo tibetano, xamanismo, sufismo e outras tradições espirituais em sua prática artística. Em suas performances, o corpo é tratado como instrumento mágico, capaz de canalizar dor, resistência e energia para criar experiências transformadoras tanto para o artista quanto para o público. Em seu documentário, Espaço Além, ela vivencia a espiritualidade no Brasil exibindo mais do seu processo artístico e experimental de se abrir para o metafísico.

Lygia Clark desenvolveu uma abordagem artística profundamente ligada à experiência sensorial, ao corpo e à dimensão simbólica dos objetos, o que muitos interpretam como uma forma de magia ou ritual contemporâneo. Em seu texto “A propósito da magia do objeto” (1965), Lygia Clark discute como objetos cotidianos podem adquirir poder poético e simbólico quando usados em contextos artísticos. Clark via o corpo como espaço de revelação e cura, onde a arte atua como mediadora entre o mundo interno e externo.


(Coluna Jardim Encantado, por Ronald D’Lanor — publicada mensalmente, sempre no último sábado, trazendo novos capítulos do Ensaio sobre Artemagia.)

 
 
 

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